Lavagante
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Categoria hospedeira: Programação
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in Ciclo do mês
DIA 5 MAR | IPDJ | 21h30
LAVAGANTE
Mário Barroso, 2025, PT, M/12, 92'
ficha técnica, sinopse e trailer: aqui
LAVAGANTE, de Mário Barroso, foi realizado a partir de um argumento de António-Pedro Vasconcelos, por sua vez adaptado livremente a partir da novela homónima de José Cardoso Pires, cujo centenário foi assinalado no passado mês de Outubro. Trata-se de uma história de amor fatal que por todos tem sido adorada e todos tem comovido, e que não pára de levar pessoas à sala.
Crítica
O título Lavagante é simbólico, uma imagem que Cardoso Pires usa para evocar o primitivismo, a dureza, e a selvajaria latente de uma sociedade refém de estruturas autoritárias. Lê-se: “Um lavagante é um crustáceo primitivo, sem grandes requintes na cozinha. É mais saboroso que a lagosta, e parece que mais selvagem porque não se adapta tão bem aos viveiros.” E a narrativa avança, detendo-se no modo como o salazarismo se infiltra na vida privada, de como o medo, a vigilância e a opressão condicionam relacionamentos, decisões pessoais, a intimidade, e mesmo os afectos. Lavagante é uma história de amor que não se limita ao amor romântico, é também o amor pela liberdade e pela consciência crítica.
Portugal a preto e branco
Havia uma questão fundamental: como filmar o país daquele tempo? “Escolhi o preto e branco não por nostalgia, mas porque queria mostrar o cinzento, o peso, a ausência de cor que marcava Portugal. Aquele país oprimido não poderia ser filmado em cores vivas. O preto e branco traz uma densidade que corresponde ao ambiente que se vivia, ao medo, à vigilância constante, às sombras. Era também uma forma de ligar a obra a uma tradição cinematográfica que sempre admirei.” Na preparação, reviu toda a cinematografia de Ingmar Bergman (acabou por quase copiar uma imagem, Cecília ao espelho como em Mónica e o Desejo). Havia ainda questões práticas a justificar o preto e branco, nomeadamente a dificuldade de recriar ambientes com um orçamento longe de ser milionário. Isabel Lucas, Público
A maneira como Lavagante agarra e sugere a energia da clandestinidade (...) é o seu principal sucesso.
(...) Júlia Palha (...) revela-se capaz do mistério e do grau de incandescência erótica suficientes para ser uma muito convincente encarnação de outro arquétipo do noir, a “mulher fatal”. - Luís Miguel Oliveira, Público
Há [em Lavagante] os restos de um desejo romântico muito português. - João Lopes, Diário de Notícias
Lavagante não é só sobre 1962, é sobre nós. (...) É raro encontrar um filme português que consiga ser, ao mesmo tempo, rigoroso, político, emotivo e belo. Este consegue. - José Vieira Mendes, Visão
Um dos melhores [filmes] sobre os tempos da ditadura (...) Um Cinema necessário e oportuno. - José Vieira Mendes, Magazine HD
Particularmente gratificante é ver, enfim, Júlia Palha com um papel a pedir-lhe mais do que a beleza física onde se destaca; os diálogos (sobretudo os de sedução) entre ela e Francisco Froes são de uma enunciação preciosa, a partir de uma escrita refinada. - Jorge Leitão Ramos, Expresso
Mário Barroso assina um belo filme sobre o amor. - Ana Maria Ribeiro, Correio da Manhã
Lavagante confirma Barroso como um cineasta atento aos detalhes e que gosta de visitar os labirintos do amor e do poder. - Jorge Pereira Rosa, C7nema
Amor, engano e coragem convergem num retrato que não romantiza o passado e que rejeita a nostalgia fácil para expor a crueza. - Tiago Neto, Sábado