CRIMES DO FUTURO
-
Categoria hospedeira: Programação
-
in Ciclo do mês
19 JAN | 21H30 | IPDJ
CRIMES DO FUTURO
David Cronenberg, UK/GR/FR/CA, 2022, 107’, M/16
sinopse, ficha técnica e trailer: aqui
notas críticas
Cronenberg volta ao território onde plantou os marcos que o tornaram célebre: o do corpo como lugar de mistérios, magnífico mutante insidioso na sua capacidade de criar prazeres e pânico.
... uma sábia revisita transformadora às temáticas que lhe conhecemos tão bem que nos sentimos em casa. E só não de deve dizer que é o fecho da abóbada da catedral cronenberguiana porque dele esperamos ainda mais filmes. J.L.R. Expresso
O novo filme de David Cronenberg, Crimes of the Future, ficará como um dos títulos fundamentais de Cannes/2022: alheio às convenções do “cinema de terror”, o cineasta canadiano encena um tempo futuro em que os corpos humanos se estão a transformar a partir do seu interior.
O canadiano David Cronenberg está de volta à competição do Festival de Cannes com um filme tão inclassificável quanto fascinante: seja qual for o palmarés, 2022 ficará como o ano de Crimes of the Future, um daqueles objectos que nos faz sentir que o gosto e a imaginação do cinema ainda não foram devorados pelos valores mercantis que contaminam muitas formas de produção e consumo.
[...] a inscrição do trabalho de Cronenberg nas rotinas do “cinema de terror” não faz qualquer sentido. Para o autor de filmes como A Mosca (1986), Irmãos Inseparáveis (1988) ou eXistenZ (1999), o que mais conta é essa noção, de uma só vez filosófica e poética, de que o corpo, sendo o instrumento visível da nossa humanidade, existe também como motor (orgânico, é caso para dizer) daquilo que abala as certezas do factor humano. Em Irmãos Inseparáveis, sobre dois gémeos ginecologistas, há uma cena em que Jeremy Irons diz que devia haver também concursos dedicados ao interior dos corpos e à beleza dos seus órgãos — pois bem, está feito! João Lopes, Diário de Notícias
“Crimes do Futuro” tanto reflete sobre temas e imagéticas antigas na oeuvre de David Cronenberg como propõe desafiantes tonalidades que trespassam a perspetiva de um artista envelhecido. Esperamos que este não seja o último trabalho do mestre, mas seria um ponto final adequado, um testamento e um requiem justapostos, unidos como dois corpos penetrantes e penetrados. Que delírio, que melancolia, que pesadelo! Cláudio Alves, magazine-hd