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Ana | 16 OUT / IPDJ / 21H30

Categoria hospedeira: Programação
in Ciclo do mês

DIA 16 OUT | IPDJ | 21H30

ANA
António Reis e Margarida Martins Cordeiro, Portugal, 1983, 115’

Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema                                                      

A segunda parte do tríptico rodado em Trás-os-Montes por Margarida Cordeiro e António Reis, Ana, tem como protagonista uma matriarca interpretada pela própria mãe de Cordeiro. Esta figura encaminha-se sem medo para a própria morte, tendo entre os seus últimos cuidados pedir que alimentem a sua amada vaca Miranda, uma criatura gentil que toma o nome da histórica cidade transmontana, eco de uma unidade perdida entre humanos e natureza, em que se cruzam o celestial e o terreno, o novo e o ancestral. No filme figura também a filha dos realizadores, Ana Cordeiro Reis, que surge ali ainda criança – anunciando assim a estrutura circular do filme e o seu percurso pelos caminhos do nascimento, da vida e da morte. Acompanhando um grupo de etnógrafos numa visita à região, Ana capta, através do olhar e dos sonhos de uma criança, coisas tão mágicas e belas como a decomposição da luz através de um prisma, a chegada de uma troupe de circo depois da doença, ou uma tarde de descanso no meio do Verão.

notas

Alguns dirão que neste filme nada se passa, que não há narração. Serão os mesmos que a não saberão achar no diálogo de Platão, na ode de Píndaro ou no Babel e Sião de Camões. “Fraqueza da humana sorte: / que quando da vida passa / está recitando a morte”. “Recitar a morte”, do Ulisses de Homero ao Ulisses de Joyce foi o único e supremo fito da narratividade.
“Ana” é, entre muitas outras coisas, o filme da compreensão disso. Se se lembra na ausência, é porque o seu espaço não é o da memória, “senão o da reminiscência”. Continuando – e concluindo – em Camões: é o filme que sobe da sombra ao real “da particular beleza / para a beleza geral”. 
João Bénard da Costa, Diário de Notícias, 1 de janeiro 1983

Na sua recusa de uma narrativa tradicional contada, “Ana” documenta apenas um lugar e a sua gente, descontínuo, fragmentado, frágil, intenso na contaminação necessária, mergulhando na vibração do tempo que decorre. Mas quem é e o que significa esta mulher? Que sentido têm os seus gestos, os seus passeios, as suas falas graves, o seu grito de morte “Miranda! Miranda!”, nome de animal e de burgo velhos? 
“Ana” é a essência, palavra completa como uma amêndoa, princípio, meio e fim em três simples letras. Palavras-chave, também, enigma e solução. Nome de mulher. Nome de filme. “Ana”, de António Reis e Margarida Cordeiro. 
Luís de Pina, O Dia, 13 de maio 1985

O que é extraordinário neste filme é que nos encontramos sempre diante de um equilíbrio que sentimos efémero e frágil, precário como é o fio da memória, mas que jamais é quebrado. António Reis e Margarida Cordeiro vencem a batalha com uma segurança que nos maravilha. Obra particularmente exigente, sem relação direta com qualquer escola ou moda cinematográfica, sem paralelo na produção mundial actual, “Ana” vai ficar na História do Cinema. 
Deixando de lado a pequenez do pensamento local que nega grandeza e importância a tudo o que produz de bom a terra portuguesa, não podem restar dúvidas de que “Ana” é um marco inamovível na história, já longa de oitenta anos, da cinematografia mundial.
António Loja Neves, Cinema nº 6, Verão 1985

Margarida Cordeiro e António Reis reclamam de nós a sensibilidade e a inteligência para os vetores estético e emocional. Sobressai a múltipla sugestão plástica de sinais poéticos, a par de uma conjugação visual e sonora: raramente se ouviu assim um verbo melódico, e uma tal inscrição de ressonâncias musicais… Entre intimidade e exterior, persiste um perfeito equilíbrio de alternância e articulação, convertendo-se a paisagem numa dimensão primordial, densa e perturbante arquitectura de exultação – pela fábula ou o fantástico místico, pela sedução do sonho e a exaltação do olhar. Para além do carácter ritual, pela intervenção dinâmica dos elementos naturais (ar, água, terra, fogo), “Ana” sublinha o ritual do carácter – chegando à paisagem interior pelo interior da paisagem… 
José de Matos-Cruz, O Jornal, 6 de julho 1984

“Ana” pode ser visto como uma arquitetura fascinante de histórias, umas grandes, outras pequenas, umas contendo outras, outras negando-se a qualquer subordinação a qualquer espaço de narratividade que não seja aquele que, por vezes desesperadamente, vão conquistando. Por um lado, estamos perante um filme que aceita os fragmentos renovados do tempo como matéria fundamental do seu espaço de visão (são as estações e as diferenças que vão instalando nos dados imediatos do espaço); por outro lado, descobrimos com um fascínio persistente que esse carácter cíclico se enreda com o movimento da vida e da morte, das vidas e das mortes, perturbando a linearidade inicial do próprio espaço.
João Lopes, Diário de Notícias, 9 de maio 1985

Ainda não tive o diálogo que desejava com António Reis e Margarida Cordeiro, realizadores do filme “Ana”. Recordo-me do seu filme precedente, “Trás-os-Montes”, uma obra inesquecível. Vendo “Ana”, vivi uma grande experiência emocional. É um filme que eleva o espírito, com uma sensibilidade, uma finura e uma conceção poética da imagem muito particular. Mais do que uma lenda, é um conto, um sonho secreto que vos persegue muito tempo depois.
Joris Ivens

“Ana” tem grande poder e beleza. Tem grande convicção. E “Ana” é um filme assustadoramente saudável. A saúde tem algo a ver com o estabelecimento de um balanço harmonioso dentro de nós, entre nós próprios e o que nos rodeia, entre os nossos atos e a história de todos os nossos atos coletivos. Penso que tudo isto é um dos assuntos do filme, está lá no ritmo, no tempo, na imagem, nas próprias pessoas. E penso que também está lá no espírito do trabalho, no estilo e paciência e respeito, que tornou este filme possível. 
Robert Kramer


Colaboração com Cinemateca Portuguesa- Museu do Cinema

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