FOI SÓ UM ACIDENTE
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Categoria hospedeira: Programação
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in Ciclo do mês
Dia 8 JAN | IPDJ | 21H30
FOI SÓ UM ACIDENTE
Jafar Panahi, IR/FR/LU/US, 2025, 104′, M/14
sinopse, ficha técnica e trailer: aqui
notas críticas
Irão Condena À Revelia Jafar Panahi
É a — esperada — retaliação do regime teocrático depois da Palma de Ouro de Cannes a Foi só um Acidente, em Maio passado, mês em que o realizador pôde finalmente sair do seu país depois de 15 anos impedido de o fazer. Período ao longo do qual esteve preso por duas vezes, a última das quais, na famigerada prisão de Evin, levando-o a fazer greve de fome. (...) A forma como utilizou a sua liberdade e o estar de novo na posse do seu passaporte, as entrevistas que deu por todo o mundo, incluindo ao Ípsilon, em que falou da situação política no Irão como sendo de irreversível queda do regime depois do movimento Mulher. Vida. Liberdade, mas em que admitiu também que não conseguia viver e trabalhar noutro sítio que não o seu país, não melhoraram o seu caso junto das autoridades: Foi só um Acidente, rodado ilegalmente porque o realizador se recusou a apresentar o argumento à censura prévia e baseado nas suas próprias provações sob o domínio dos ayatollahs, é o mais agressivo de todos os seus filmes, ele que já filmou em prisão domiciliária (Isto não é um filme) ou dentro de um carro, circulando por Teerão (Taxi). Vasco Câmara, Público
Um dos acontecimentos cinematográficos do ano. Ficção poderosa que agarra o espectador para nunca mais o largar. - José Paiva, Comunidade Cultura e Arte
É um filme portentoso. Expõe-nos aos dilemas de Vahid, um homem que reconhece num condutor de automóvel acidentado, pai de família igual a tantos outros, o torcionário que o brutalizou na prisão. - Francisco Ferreira, Observador
Revela o realizador em grande forma no seu registo preferido. Mais uma vez filmado na clandestinidade, o filme traz alguns dos temas favoritos do cineasta, como a culpa, o regime opressor e violento, os grandes dilemas éticos, a vingança e a memória. Tudo a partir de um dia trivial que de repente devolve as marcas de uma vida. Muito recomendável. -Nuno Miguel Guedes, Sábado
Uma notável proeza, um exemplo modelar do trabalho de um cineasta que não desiste de filmar a sociedade do seu país. - João Lopes, DN
O retrato do “simples acidente” feito por Panahi distingue-se, por isso, pelo poder de uma aproximação concisa e contundente de um Irão de muitas feridas interiores, ao mesmo tempo preservando o gosto de olhar para cada ser humano como uma entidade única, radical, sem equivalente. - João Lopes, Metropolis
Ao encenar uma possível falência da civilização moral perante o trauma, aparece humor. Humor caloroso. É no precipício da tragédia e da violência que o humor (e o amor) podem salvar um país. - Rui Pedro Tendinha, Expresso
Expõe uma centelha de solidariedade capaz de superar o ressentimento. O clima de suspense em alta pressão jamais arrefece, mesmo quando abre espaço para dúvidas e consciência pesada, oferecendo-nos uma investigação profunda sobre a essência da mágoa e as responsabilidades que o seu exercício acarreta. - Rodrigo Fonseca, C7nema
É um testemunho da coragem inabalável de Jafar Panahi (...) Um convite intenso e intrépido para confrontar a verdade inconveniente de que, sob um regime opressor, a linha entre a justiça e a fatalidade é muitas vezes traçada pelo acaso. - Manuel São Bento, Sapo
O cinema de Jafar Panahi continua a fazer as perguntas vitais". - João Antunes, JN
Tendo uma acentuada dimensão de farsa negra, de tragicomédia crescentemente desesperada, Foi Só um Acidente é um filme cheio de raiva, de dor e de revolta, como nunca antes se viu antes numa realização de Jafar Panahi. E que são não só a raiva, a dor e a revolta do cineasta, como também representam a raiva, a dor e a revolta do povo iraniano em relação ao opressivo regime dos mollahs. - Eurico de Barros, Time Out
Talvez o filme mais febril de Panahi. (...) A mostrar a diversidade de rostos que compõem a angústia brutal da sociedade iraniana. Um dos seus filmes mais tensos e intensos na análise da humanidade e das suas cicatrizes. - Inês N. Lourenço, A Grande Ilusão
Um belo filme. Nunca vi nada assim. - Martin Scorsese
É tremendo. - Vasco Câmara, Público
Extraordinário. O trabalho de um mestre. - Rolling Stone
Um poderoso thriller moral sobre a vingança e o perdão. - The New Yorker
Impressionante. Um dos realizadores mais corajosos do mundo. - The Guardian
Alia coragem política e audácia cinematográfica. - Los Echos
Magistral. - Libération
Grande filme político. Cheio de Humor. - Le Parisien
Comovente, de um humor demolidor. - France Info
"O que é importante para mim é encontrar uma maneira de fazer filmes apesar das dificuldades, porque quero fazer um filme que possa ser visto daqui a 10, 20 anos, depois deste regime". Jafar Panahi em entrevista à SIC