RIEFENSTAHL
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Categoria hospedeira: Programação
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in Ciclo do mês
DIA 2 | IPDJ | 21H30
RIEFENSTAHL
Andres Veiel, Alemanha, 2024, 115’, M/12
sinopse, ficha técnica e trailer: aqui
Com estreia mundial no Festival de Veneza, o filme é um retrato de uma das mulheres e realizadoras mais controversas do século XX. Mas é também um filme sobre a forma como as imagens e o cinema foram (e continuam a ser) uma arma de propaganda dos mais sinistros regimes.
À semelhança de ORWELL de Raoul Peck, RIEFENSTAHL ressoa de forma brutal com a actualidade e o crescimento da extrema-direita com o uso que faz das imagens na construção de uma falsa narrativa.
Quando questionada sobre o tema do filme O Triunfo da Vontade, em que filmou o congresso do Partido Nazi em Nuremberga em 1934, e que será provavelmente o maior filme de propaganda de todos os tempos, elevando Hitler a figura de messias, Riefenstahl afirma que a mensagem do seu filme é uma mensagem de Paz, a mesma justificação agora feita para as intervenções militares ilegais.
Este é um filme essencial num mundo em que a propaganda se tornou mais efectiva que nunca e a necessidade de questionar as imagens se tornou obrigatória. - Midas Filmes
Leni Riefenstahl: a mestra de mentiras do nazismo num documentário imperdível
Um fascinante documentário de Andres Veiel sobre a cineasta oficial do nazismo alemão, com recurso, pela primeira vez, ao formidável espólio que deixou.
O filme não discute se Leni Riefenstahl foi ou não um génio do cinema, uma grande realizadora, mas Veiel tem uma opinião firme a esse respeito: “Os filmes dela são a celebração dos mais fortes, dos vitoriosos, e o que essa postura tem de maléfico é que implica o desprezo pelos mais fracos, pelos débeis, pelos doentes, pelos sexualmente diferentes — e podemos continuar a enumerar. Ela sempre negou essa conexão, dizendo que só queria filmar a Beleza — e o que é que isso tem de mal? O que tem de mal é a negação dessa conexão. Claro que Leni Riefenstahl era um génio, em matéria de montagem, sabia controlar o ritmo. Mas, visto com os olhos de hoje — e não me refiro à ideologia, refiro-me à forma cinematográfica —, há em ‘O Triunfo da Vontade’ partes que se alongam sem necessidade, bastante aborrecidas. E, lendo os argumentos do espólio, percebem-se as falhas. Escrevia mal, não sabia organizar um argumento, ‘A Luz Azul’ [o filme que a lançou como realizadora] foi escrito por Béla Balázs, ‘Tiefland’ está cheio de clichês, é péssimo.”
[...]“Riefenstahl” é obra morosa. “Primeiro tive de saber o que estava no espólio — eram 700 caixas e tive de as explorar todas com uma grande equipa de cinco investigadores e três montadores que me foi orientando, ‘veja isto, veja aquilo’, e à qual, noutras vezes, eu fui pedindo coisas que não sabia se existiam. Também houve pesquisa em diversos arquivos, como se nota no filme. A seguir fizemos muita pré-montagem e só depois escrevi um argumento com uma narrativa onde as coisas fossem encaixando. E, por fim, houve uma remontagem. Mas a estrutura final só ficou definitivamente definida depois de se ter desencadeado a invasão da Ucrânia e a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Foi com esses dois eventos que eu percebi que ‘Riefenstahl’ é também um filme sobre Putin, sobre Trump, sobre Órban, sobre o que se passa hoje no Mundo”, conclui Andres Veiel - Jorge Leitão Ramos, Expresso
Extraordinário. O tempo não diluiu os temas, e também os fantasmas, da sua herança - basta pensarmos na dimensão visceralmente política do populismo televisivo, presente no nosso dia a dia e, no entanto, ignorado por muitas entidades que o deviam enfrentar.- João Lopes, DN
Lúcido e implacável. Não impede ninguém de voltar a aclamar os seus filmes, mas impedirá qualquer tentativa de reabilitação. - Screnn International
Examina a eficácia com que se tenta reescrever a História. Hoje, chamam-se fake news. E são extremamente eficazes. - Cineuropa