GODARD CINEMA
-
Categoria hospedeira: Programação
-
in Ciclo do mês
DIA 9 | IPDJ | 21H30
GODARD CINEMA,
Cyril Leuthy, França, 2022, 101’, M/12
sinopse, ficha técnica e trailer: aqui
Neste documentário, Cyril Leuthy quer levar-nos além dos clichés de um mito, que por vezes se tornou caricatural, para dar a conhecer um homem mais sentimental do que parece, um homem habitado e, às vezes, ultrapassado pela sua arte. Jean-Luc Godard fez mais de 140 filmes.
O seu trajecto tinha um sentido apenas: a renovação constante da sua arte. “Sou um homem positivo que parte do negativo”, afirmava. A sua aura distinta marcou não apenas os seus filmes que se tornaram lendários, mas também uma figura pública envolta em mistério. Godard via o acto de criação como um gesto necessário de crítica e desconstrução. Ao longo dos anos, reinventou-se, para de seguida destruir tudo e começar de novo, sempre explorando as potencialidades da imagem em movimento. Neste filme, Godard fala sobre Godard, as suas experiências, obsessões e descobertas ao longo de décadas de trabalho constante. Afinal de contas, uma vez escreveu: “Tudo pode ser filmado. Tudo deveria ser filmado.”
O que mais me motiva em Godard é que ele autoriza tudo: liberta os outros cineastas, liberta-os para que se possam atrever a arriscar, a tentar e a desafiar hábitos. Fazer este filme significou explorar um artista que, mais do que muitos outros, tem uma verdadeira fé na sua arte. Para navegar neste oceano de ideias, filmes e arquivos, foi preciso seguir um caminho: permanecer humilde e dar voz às pessoas que o conheciam. O filme é mais sobre o homem do que sobre o seu cinema, mas quando se trata de Godard, o cinema e a vida fundem-se, embora no final, o filme também fale de cinema…
Cyril Leuthy
Uma homenagem à carreira do cineasta Jean-Luc Godard
Jean-Luc Godard é a personificação do cinema francês, a sua quinta-essência. Com o lançamento de "O Acossado", afirmou-se como um realizador rebelde, provocador e um símbolo da juventude progressista e anti-guerra. A viagem de Godard segue uma única direção: uma busca constantemente renovada pela sua arte.
62 anos e 140 filmes depois, Godard faz parte do ensino nas escolas, e ao mesmo tempo continua um homem envolto em mistério. Godard é o cineasta de culto, o líder da nouvelle vague francesa, o agitador político, o amante das mulheres, o misantropo revolucionário, o teórico do cinema e, finalmente, o eremita das montanhas suíças...
O documentário de Cyril Leuthy recorda a sua carreira, os seus temas favoritos e tenta captar a essência do realizador, um homem habitado, e por vezes sobrecarregado, pela sua arte. - rtp.pt
A estrela de Godard ainda pode brilhar?
Para o realizador, como nos conta, tratava-se de seguir os enigmas da “personagem pública” de Godard através da obra, e vice-versa, de uma forma a que se pode chamar introdutória, sem qualquer sentido pejorativo — “como voltar a falar de Godard?”, como apresentar Godard à geração que tem hoje 20 anos?, duas preocupações que nortearam o trabalho de Leuthy. O filme que fez nada de tem de básico (ou apenas no melhor sentido da palavra), e encontra espaço para aprofundar vários aspectos que normalmente não são assim tão discutidos — e através dos depoimentos expressamente colhidos para o filme, testemunhos directos de actores ou sobretudo actrizes (Macha Méril, Marina Vlady, Julie Delpy, Hannah Schygullah, Nathalie Baye) que trabalharam com Godard, e de gente que foi próxima dele em momentos específicos (Romain Goupil ou Daniel Cohn-Bendit para o período dito “maoísta”), garante-se ainda um outro tipo de riqueza, que faz de Godard, Cinéma um objecto interessantíssimo não apenas para aprendizes de Godard, também para godardianos feitos. - Luís Miguel Oliveira, Público