ROMARIA
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Categoria hospedeira: Programação
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in Ciclo do mês
DIA 14 MAI | IPDJ | 21H30
ROMARIA
Carla Simón, ES/DE, 2025, 112’, M/14
sinopse, ficha técnica e trailer: aqui
Nota da realizadora
Tenho a sorte de fazer parte de uma grande família repleta de histórias, que se tornou a minha principal fonte de inspiração. Os laços familiares fascinam-me porque não os escolhemos. O meu pai morreu quando eu tinha três anos e a minha mãe quando eu tinha seis, ambos vítimas de SIDA. A última vez que vi a família do meu pai foi no funeral da minha mãe, depois disso perdemos o contacto. Quando estava prestes a ir para a universidade, precisei dos certificados de óbito dos meus pais e entrei em contacto com os meus avós. Poucas horas depois, um dos meus tios contactou-me para me convidar a visitá-los. A curiosidade e o desejo de conhecer as minhas origens superaram o ressentimento de anos de silêncio. Aos 18 anos, viajei para conhecer a família do meu pai e descobrir a história dos meus pais.
Os meus pais eram jovens aquando da transição democrática de Espanha nos anos 80, uma época de liberdade e experimentação, em que os jovens romperam com os valores herdados de uma sociedade profundamente católica e conservadora. Contudo, este tão esperado período de liberdade, conhecido como "La Movida", também trouxe consigo uma crise de heroína, que fez de Espanha o país com a maior taxa de mortes relacionadas com a SIDA na Europa. Estas histórias, porém, foram muitas vezes silenciadas.
ROMARIA é um filme sobre a memória – os fugazes momentos familiares que talvez nunca venhamos a compreender completamente. Tentei reconstruir a história dos meus pais através das memórias da minha família e de quem os conheceu, mas falhei. A natureza inerentemente fragmentada da memória desempenha o seu papel, mas o principal obstáculo é o estigma em torno da SIDA, que obscurece estas memórias. Esta história pretende recuperar o legado de uma geração esquecida que sofreu as duplas consequências da dependência de heroína e do aparecimento de um novo vírus. Uma parte da memória histórica espanhola que merece ser descoberta.
Frustrada pela impossibilidade de desvendar a história completa dos meus pais, dediquei-me a criar a memória que me fazia falta. Podemos criar a nossa própria memória quando ela não existe? Acredito que podemos – e devemos – estabelecer uma relação mais saudável com o passado e moldar a nossa identidade.
Felizmente, tenho o cinema.
notas críticas
Um drama singular, inteligente e comovente. Simón ainda revela a sua riqueza, calor e sua linguagem cinematográfica franca, quase documental. - The Guardian
A terceira longa-metragem semi-autobiográfica de Carla Simón é contemplativa e encantadora. ROMARIA demonstra mais uma vez que Simon tem um dom raro para capturar a besta imprevisível e volúvel que é a família. - Screen
Após ALCARRÀS, vencedor do Urso de Ouro, Carla Simón regressa com uma história de dissonância intergeracional. Simón sempre foi uma cineasta autobiográfica. ROMARIA poderá ser o seu trabalho mais pessoal até à data. - The Film Stage
O seu melhor filme até à data. Um belo momento de lirismo. - ICS
Uma comovente busca de identidade. - Première
Romaria: a idade maior de Carla Simón. Com esta história de uma órfã que contacta a família do pai biológico, a cineasta catalã dá o salto para a “maioridade” artística. - Público ★★★★
Romaria traz-nos a história dos pais biológicos de Carla Simón pelo olhar de quem não os conheceu, ficção feita com coisas que vêm da vida, em que a cineasta, por interposta personagem, questiona a sua própria identidade. - Observador