Cineclube de Faro Cineclube de Faro
  • Início
      • Agendas
  • Programação
      • Histórico
          • Video Lucem 18/19
      • Imprensa
  • Sobre nós
      • Ser sócio
      • Ser voluntário
  • Animagoria
  • Parcerias e Colaborações
  • Biblioteca
  • Formação
  • Ligações
  • Contactos
  • Entrada_
  • Programação_
  • Ciclo do mês_
  • A NOIVA

A NOIVA

Categoria hospedeira: Programação
in Ciclo do mês

16 FEV | 21H30 | IPDJ

A NOIVA
Sérgio Tréfaut, Portugal, 2022, 81’, M/12

com a prersença do ator Dinis Gomes

sinopse, ficha t+enica e trailer: aqui

A NOIVA AS RAZÕES DE UM FILME
Quando, em junho de 2014, o auto-proclamado Estado Islâmico fez de Mossul a sua capital e Abu Bakr Al-Baghdadi declarou o início de um novo Califado na grande Mesquita de Al Nur, não acreditei no que via e ouvia. Eu tinha visitado Mossul várias vezes no ano anterior, durante a pesquisa para um documentário sobre as consequências da intervenção norte-americana no Iraque. Ainda guardava vivos na memória os cheiros e as cores do mercado da cidade. Foi lá que comprei os ténis que usei durante anos. Perguntava-me o que teria acontecido àqueles vendedores de tão variadas origens e credos: cristãos, arménios, curdos, judeus, chiitas, sunitas. Ao mesmo tempo, como todos os ocidentais, fui surpreendido pela adesão de muitos jovens europeus à ideologia radical do Estado Islâmico. Eram milhares, ou dezenas de milhares, os adolescentes que partiam para a Síria e para o Iraque. Não pertenciam apenas às segundas gerações da imigração muçulmana. Alguns eram jovens cristãos, ou sem origem religiosa, que se tinham convertido a uma estranha forma de idealismo assassino. Em Portugal uma vintena de combatentes passou a ter cara, nome, destaque na imprensa, direito a capa de revista. Alguns pareciam personagens de novela, pela forma como entravam nas nossas vidas. Queríamos seguir o que lhes poderia acontecer nos próximos episódios. Estes jihadistas portugueses eram facilmente separáveis em dois grupos: os jovens de origem africana, sobretudo provenientes da linha de Sintra, que tinham ido jogar futebol no UK Football Finder ou tentar a sorte de outra maneira no Reino Unido, e que tinham sido convertidos por extremistas paquistaneses em Londres; e os filhos da imigração portuguesa, em contacto próximo com as comunidades muçulmanas na Europa do Norte, marcadas por um forte sentimento de rejeição. A partir de 2015 comecei a escrever um argumento que contava a história de um dos rapazes do primeiro grupo, ligeiramente inspirado na história do ex-futebolista Fábio Poças, adorador de Cristiano Ronaldo, incluindo o seu casamento com Ângela Barreto, filha de imigrantes portugueses na Holanda. Durante anos li biografias de jihadistas como Jihadi John, falei com sobreviventes, segui os crimes praticados pelos extremistas, sem nunca chegar a perceber totalmente o que motivava os jovens ocidentais a se converterem. Quando tinha o argumento quase pronto, cheguei à conclusão que aquele não era o filme que eu queria ver. Parecia-me um biopic, um thriler para a Netflix. Não me alimentava o espírito. Transmitia talvez a ilusão de compreender um percurso que eu não compreendia, apesar de ter estudado o assunto. Foi mais ou menos neste momento que se deu o desmembramento do Estado Islâmico e a queda de Mossul, reconquistada pelas forças curdas e pelo exército iraquiano, com apoio internacional. De um dia para o outro, começaram a surgir as histórias perturbadoras das viúvas de jihadistas e dos milhares de órfãos. Éramos confrontados com imagens de campos de prisioneiros, tanto na Síria como no Iraque, e esse universo me pareceu imediatamente mais rico. Era finalmente o momento de poder ver e ouvir as jovens que tinham deixado tudo para casar com combatentes do Daesh. A minha pesquisa foi então desviada para os julgamentos das viúvas e para as famílias ocidentais que tentavam contactá-las. Na França, surgiam as associações de entreajuda de pais que trocavam experiências porque não entendiam o que tinha acontecido aos seus filhos. Em menos de um mês escrevi uma primeira versão do argumento de «A Noiva». Algumas conversas foram ligeiras adaptações de transcrições de diálogos reais, como a sequência do tribunal ou o diálogo com o general e o depoimento do coronel sobre a captura da personagem principal. Outras cenas têm maior liberdade ficcional. Acabei por fazer um filme em contraponto do que via nos media, onde a maioria dos meios ocidentais procurava explicações sociológicas ou psicológicas para algo que continuará sempre a ser misterioso. Nos piores casos, havia repórteres que procuravam colocar-se no lugar da justiça. Assumi que seria interessante fazer o contrário: oferecer ao espectador a ilusão de estar num lugar onde nunca esteve e descobrir uma realidade perturbadora, uma personagem dividida entre dois mundos, sem oferecer um conforto explicativo. Procurei fazer um filme intrigante, tal como são estas jovens, tão diferentes umas das outras. 
Sérgio Tréfaut

notas críticas

[...] A Noiva, que começou por ser o projeto de um documentário sobre uma “hipocrisia” americana, a de que imprensa e eleições livres garantiam a democracia no Iraque, foi progressivamente dando origem ao que é hoje: uma ficção sobre as raparigas, de 16 ou 17 anos, que se entregaram ao destino dos rapazes com uma divisão insanável dentro de si que os transformou em jihadistas.
[...] O documentário que então começou a preparar resultaria de contactos e conversas com jornalistas iraquianos e procuraria desconstruir uma verdade de Estado dos americanos, que aliás abandonavam o país entregando-o ao caos. Foi então que Mossul caiu nas mãos do Daesh. [...] O projeto ficou impossibilitado. Mas outras possibilidades se abriram ao realizador: a quantidade de jovens europeus, entre os quais portugueses, que se alistavam nas forças do autodenominado Estado Islâmico.
[...] A Noiva é, assim, o resultado das circunvoluções da relação do cineasta com um país desde 2013/2014 até hoje. Conta uma das suas histórias: uma rapariga tem agora 20 anos, vive num campo de prisioneiros com dois filhos, esperando um terceiro, é uma viúva de 20 anos que aguarda julgamento nos tribunais iraquianos.
Vasco Câmara, Público

Filmando no Curdistão iraquiano, com notável qualidade fotográfica e enquadramentos sóbrios, Tréfaut parece ter sempre como prioridade dar-nos um pedaço de realidade, levar-nos ao espaço, num registo quase documental (que é nitidamente onde se sente mais à vontade), feito de verdade e verosimilhança. Sentimo-nos como se estivéssemos lá. Prontos a tirar as nossas conclusões ou impressões sobre a indecifrável personagem.
Manuel Halpern, Visão

Calendário

Ano anteriorMês anteriorPróximo anoPróximo mês
abril 2026
Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
RIEFENSTAHL
21:30
IPDJ
Andres Veiel. DE:2024. 120’. M/12
Data : 02-04-2026
3
4
5
6
7
8
9
GODARD CINEMA
21:30
IPDJ
Cyril Leuthy. FR: 2022. 101’. M/12
Data : 09-04-2026
10
YUNAN
21:30
IPDJ
Ameer Fakher Eldin. Alemanha/ Palestina/Canadá:2025. 124’., M/14
Data : 10-04-2026
11
A PEQUENA AMÉLIE
16:30
IPDJ
Maïlys Vallade e Liane-cho Han. FR/BE:2025. 78’. M/6
Data : 11-04-2026
12
13
14
15
16
O MEU NOME É ALFRED HITCHCOCK
21:30
IPDJ
Mark Cousins. UK: 2023. 120’. M/12
Data : 16-04-2026
17
La Voie royale
21:00
Biblioteca Municipal de Faro
Frédéric Mermoud. FR: 2023. 109'.M/12
Data : 17-04-2026
18
19
20
21
22
23
SEMPRE
21:30
IPDJ
Luciana Fina. PT: 2024. 109’
Data : 23-04-2026
24
25
26
27
28
29
30
HENRIQUE ALVES COSTA: CINÉFILO INCONFORMISTA
21:30
IPDJ
Manuel Vitorino.PT: 2024. 20’. M/12
MARCEL E MONSIEUR PAGNOL
21:50
IPDJ
Sylvain Chomet. FR/BE/LU: 2025. 90’. M/12
Data : 30-04-2026

Ciclo do Mês

  • ciclo do mês - abril 2018
  • ciclo do mês - janeiro 2019
  • ciclo do mês - março 2019
  • ciclo do mês - fevereiro 2019
  • ciclo do mês - abril 2019
  • ciclo do mês - maio 2019
  • ciclo do mês - junho 2019
  • Ciclo do mês - outubro 2019
  • Ciclo do mês - novembro 2019
  • Ciclo do mês - dezembro 2019
  • Ciclo do mês - Janeiro 2020
  • Ciclo do mês - Fevereiro 2020
  • Ciclo do mês - Março 2020
  • Ciclo do mês - Junho/Julho 2020
  • Ciclo do mês - Outubro 2020
  • ciclo mês - novembro20
  • Ciclo de Mês . Dezembro 2020
  • 2021
  • 2022
Cineclube de Faro
Login or register
Esqueceu-se do nome de utilizador? / Esqueceu-se da senha?
Login with Facebook
Login with Google +