Cineclube de Faro Cineclube de Faro
  • Início
      • Agendas
  • Programação
      • Histórico
          • Video Lucem 18/19
      • Imprensa
  • Sobre nós
      • Ser sócio
      • Ser voluntário
  • Animagoria
  • Parcerias e Colaborações
  • Biblioteca
  • Formação
  • Ligações
  • Contactos
  • Entrada_
  • Programação_
  • Mostra ao ar livre _
  • mostra ao ar livre - julho e agosto 2018_
  • As Guardiãs / Les Gardiennes

As Guardiãs / Les Gardiennes

Categoria hospedeira: Mostra ao ar livre
in mostra ao ar livre - julho e agosto 2018

As Guardiãs

Xavier Beauvois, o realizador de “Dos Homens e dos Deuses”, foi desenterrar um livro de um autor esquecido, Ernest Pérochon, para rodar este belíssimo filme sobre as mulheres que, na Primeira Guerra Mundial, se encarregaram de tratar das culturas e das quintas, enquanto os homens estavam nas trincheiras. Interpretado por Nathalie Baye, Laura Smet (filha desta, e que também faz de sua filha na fita) e pela excelente estreante Iris Bry, “As Guardiãs” apresenta-se como uma crónica romanesca da vida quotidiana numa propriedade de uma França onde só ficaram as mulheres, os velhos e as crianças, e que Beauvois recria com um rigor de documentarista, desde as alfaias agrícolas ao ritual de se lerem os nomes dos mortos em combate na missa de domingo, passando pelo modo como se fazia o pão em casa. “As Guardiãs” emula o melhor do cinema clássico francês, é um elogio da força, do espírito de sacrifício e do estoicismo das mulheres, sem nunca se tornar vulgarmente panfletário, e o seu ritmo é o da vida campestre naquele sangrento e soturno início do século XX.

Eurico de Barros, Observador

 

Quando pensamos em filmes passados na I Guerra Mundial, pensamos sempre em histórias de soldados no campo de batalha. Em As Guardiãs, Xavier Beauvois (Dos Homens e dos Deuses) foi desenterrar o livro homónimo de um autor esquecido, Ernest Pérochon, para recordar as mulheres que, em França, ficaram na retaguarda com os velhos e as crianças, a cuidar de quintas, e de comércios e negócios. Nathalie Baye interpreta a matriarca da família Sandrail, que tem dois filhos e o genro nas trincheiras, e gere a sua grande propriedade com a filha (Laura Smet, sua filha na vida real) e uma rapariga órfã contratada (a estreante Iris Bry, uma revelação). Combinando o documental e o romanesco, As Guardiãs é uma fita de robusta personalidade clássica.

Eurico de Barros, timeout

as guardias arti

 

 

Uma história de mulheres

Nos tempos que correm, de uma certa consciencialização mediática das causas feministas, ainda há quem faça o pleno elogio à mulher sem cair no, muitas vezes, efémero discurso panfletário. Também serve para o cinema. Contam-se pelos dedos os filmes que contemplaram abertamente a resistência e mágoa daquelas que viram os seus homens partir para a guerra - um dos exemplos emblemáticos é a primeira película a cores de John Ford, Ouvem-se Tambores ao Longe (1939). Por isso saudemos o magnífico gesto de Xavier Beauvois, que chega agora às nossas salas: As Guardiãs. Saudemo-lo, desde logo, pela sua enorme cumplicidade com a história das mulheres. Particularmente as que, durante o primeiro conflito mundial, lavraram a terra e asseguraram a produção, enquanto os filhos e os maridos estavam no campo de batalha. O realizador desse admirável Dos Homens e dos Deuses traz-nos mais um sereno e impressivo olhar sobre aquilo que, dito de forma simples, une a humanidade: o amor, a morte e o trabalho. Este é um filme que nos põe diante de silhuetas femininas a laborar nas searas e terra de cultivo. Imagens que, além de evidenciarem a extrema força das mulheres, também se deixam atravessar pela angústia ancestral que lhes habita o corpo. Elas são o centro e abismo de uma visão seca e profundamente dramática da realidade. Os seus rostos símbolos de uma discreta honra que se manifesta nos muitos silêncios do filme. Aqui, a palavra serve quase só para expressar os sentimentos que, apesar de tudo, têm oportunidade de nascer, ou para anunciar uma morte... Beauvois filma tudo isto com um recatado louvor pictórico, que se torna eloquente na harmonia dos semblantes com a paisagem. Não poucas vezes, a beleza e a dor estão lado a lado. De ambas se faz o majestoso retrato de As Guardiãs.

Inês Lourenço, DN

 as guardias

Os corações da França

A I Guerra vista a partir das mulheres que ficaram, que asseguraram a continuação da economia familiar.

Um estranho filme, a viver num desequilíbrio permanente em que o “conseguido” e o “falhado”, as ideias boas e as ideias que nem por isso, parecem coexistir de forma que se diria harmoniosa se isso não parece um paradoxo. Mas, também por causa disso, interessante, e sobretudo difícil de arrumar duma penada.

Vale a pena aproveitar os acasos da distribuição e aproximá-lo do Frantz de François Ozon. Porque ambos são evocações da I Guerra, numa perspectiva francesa, e porque, como o de Ozon (que se inspirava num filme de Lubitsch de 1931), também o de Beauvois vai buscar uma fonte cronologicamente próxima dos acontecimentos (um romance de Ernest Pérochon publicado em 1924).

É a I Guerra dada na “retaguarda”. Há algumas cenas nas trincheiras, mas no essencial está-se na quinta dominada pelas mulheres protagonistas visto que os homens da família vão desaparecendo para as fileiras do exército. Isto proporciona, em primeiro lugar, um olhar algo irónico sobre o bucolismo e as mitologias campestres, tão presentes na pintura francesa daquelas décadas, coisas que Beauvois, pela iluminação ou pelos enquadramentos, está sempre a evocar mesmo sem precisar de citações explícitas. Depois, o lugar das mulheres ali, as mulheres que ficam, as “guardiãs”, que tomam conta da quinta e dos seus afazeres, e que asseguram a continuação da economia familiar.

Asseguram ou tentam assegurar mais qualquer coisa, sobretudo a matriarca, Nathalie Baye: a perservação de uma moral social, e de uma moral sexual (a relação com as duas mulheres mais novas, a nora, Laura Smet, e a orfã que é acolhida na quinta, Iris Bry), algo mais complicado de garantir se, estando os filhos ou os maridos longe, se instala nas redondezas um regimento do exército americano. Apesar de ser um nó central da narrativa, esta questão acaba por ser esquemática e previsível. E o que é que fica, então, e tem uma força inesperada e irrecusável? As longas, longuíssimas, cenas, os longuíssimos planos, em que Beauvois mostra estas mulheres no trabalho e nas tarefas diárias, seja nos campos seja dentro de casa, duma forma que faz com que a acção nunca seja “indicativa” e se converta em tudo o que há para ver. É o esforço, o trabalho (e portanto uma certa violência), mas também é o ritual, a garantia de que as coisas se mantêm e continuam, um quotidiano “estruturante”. Esta ambivalência, que no fundo se replica na organização do filme e até na reacção que ele inspira, é algo a que é difícil dizer que não.

Luís Miguel Oliveira, Público

 

 

Calendário

Ano anteriorMês anteriorPróximo anoPróximo mês
março 2019
Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
Em Trânsito / Transit
21:30
IPDJ - Faro
Christian Petzold, Alemanha/França, 2018, 101', M/12
Data : 05-03-2019
6
7
Mar de Sines
21:30
8000-402 Faro
Entrada gratuita / presença do realizador e do produtor / Tertúlia pós-filme
Data : 07-03-2019
8
9
10
Matraquilhos / Metegol
11:00
8000 - 408 Faro
Juan Jose Campanella. AR/ES: 2013. 106’
Que Fiz Eu Para Merecer Isto? / Qué He Hecho Yo Para Merecer Esto ?!!
15:00
8000 - 408 Faro
Pedro Almodôvar. ES:1994. 101' (M/12)
Data : 10-03-2019
11
12
Mais um Dia de Vida / Another Day of Life
21:30
IPDJ - Faro
Raúl de la Fuente e Damian Nenow, PL/ES/DE/BE/HU, 2008, 85', M/12
Data : 12-03-2019
13
14
15
HERÓIS DO MAR
HERÓIS DO MAR
Wallay
Biblioteca Municipal
ciclo anual em colaboração regular
Data : 15-03-2019
16
17
18
19
Uma Guerra Pessoal / A Private War
21:30
IPDJ - Faro
CONFIRMADO
Data : 19-03-2019
20
21
22
23
24
25
Mónica e o Desejo / Sommaren Med Monika
15:00
IPDJ - Faro
Ingmar Bergman. Suécia: 1953. 92’ (M/12) Apresentação da sessão e Conversa pós filme com convidados
Data : 25-03-2019
26
À procura de Ricardo III
10:30
8000 - 408 Faro
Conversa e Debate  Duração: 180' Público-Alvo: cursos profissionais de Artes do Espetáculo Parceria:  IPDJ -
Refugiados / Human Flow
21:30
TMF - Faro
Ai Weiwei, DE/US/CN, 2017, 140', M/12
Data : 26-03-2019
27
28
29
30
31

Ciclo do Mês

  • ciclo do mês - abril 2018
  • ciclo do mês - janeiro 2019
  • ciclo do mês - março 2019
  • ciclo do mês - fevereiro 2019
  • ciclo do mês - abril 2019
  • ciclo do mês - maio 2019
  • ciclo do mês - junho 2019
  • Ciclo do mês - outubro 2019
  • Ciclo do mês - novembro 2019
  • Ciclo do mês - dezembro 2019
  • Ciclo do mês - Janeiro 2020
  • Ciclo do mês - Fevereiro 2020
  • Ciclo do mês - Março 2020
  • Ciclo do mês - Junho/Julho 2020
  • Ciclo do mês - Outubro 2020
  • ciclo mês - novembro20
  • Ciclo de Mês . Dezembro 2020
  • 2021
  • 2022
Cineclube de Faro
Login or register
Esqueceu-se do nome de utilizador? / Esqueceu-se da senha?
Login with Facebook
Login with Google +